Qual Inventário Sai Mais Barato: Judicial ou Extrajudicial?

Qual inventário sai mais barato: judicial ou extrajudicial

Nota Editorial

Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento jurídico para casos concretos. A aplicação de qualquer tese ao seu caso depende de análise individualizada — agende uma consulta jurídica para orientação específica.

Quem precisa fazer um inventário quase sempre pergunta qual inventário sai mais barato: judicial ou extrajudicial. Em regra, o inventário em cartório custa menos e termina mais rápido, mas nem sempre ele é possível. Neste artigo comparamos os custos das duas vias e explicamos quando cada uma pode ser usada.

Qual inventário sai mais barato: o que é igual nos dois

Alguns custos existem nas duas vias e não mudam com a escolha:

  • ITCMD: é devido no inventário judicial e no extrajudicial, pela mesma alíquota. Em Goiás, vai de 2% a 8%, sobre o valor de mercado dos bens (Lei Complementar nº 227/2026).
  • Registro da partilha: a escritura ou o formal de partilha precisa ser registrado na matrícula de cada imóvel.
  • Honorários do advogado: o advogado é obrigatório nas duas vias (Código de Processo Civil, art. 610, § 2º, no caso do cartório).
  • Certidões e documentos.

O que muda

Judicial Extrajudicial (cartório)
Custo próprio Custas e taxa judiciária, conforme a tabela do Tribunal de Justiça Emolumentos da escritura, conforme a tabela estadual
Duração Meses ou anos Semanas ou poucos meses
Avaliação dos bens Pode exigir perícia Valores declarados e conferidos pelo Fisco
Acordo entre herdeiros Não é necessário Obrigatório

Além da diferença direta entre custas e emolumentos, o tempo pesa no custo: enquanto o inventário não termina, os bens ficam parados, há despesas de manutenção (IPTU, condomínio) e o espólio continua entregando declarações de imposto de renda.

Quando o inventário extrajudicial é possível

Pelo Código de Processo Civil (art. 610) e pela Resolução CNJ nº 35/2007, alterada pela Resolução nº 571/2024:

  • todos os herdeiros devem estar de acordo;
  • havendo herdeiro menor ou incapaz, é necessária manifestação favorável do Ministério Público, e o quinhão dele deve ser pago em partes ideais dos bens;
  • havendo testamento, ele deve ter sido aberto e registrado na Justiça, com autorização judicial para o inventário em cartório.

A escolha do cartório é livre. Veja como funciona o inventário extrajudicial.

Quando o judicial é inevitável

  • quando há desacordo entre os herdeiros sobre a partilha;
  • quando há herdeiro menor e a família quer uma divisão diferente da partilha em partes ideais;
  • quando há disputas sobre quem é herdeiro, como reconhecimento de união estável ou de filiação.

Mesmo no judicial, se os herdeiros forem capazes e estiverem de acordo, é possível usar o arrolamento sumário (CPC, art. 659), procedimento mais simples e rápido que o inventário tradicional.

Como reduzir o custo do inventário

  • Abrir no prazo, para evitar a multa estadual sobre o ITCMD.
  • Organizar os documentos antes: matrículas atualizadas, certidões e extratos evitam idas e vindas ao cartório.
  • Regularizar os imóveis com construção não averbada ou área divergente, que travam o registro da partilha.
  • Avaliar a dedução das dívidas do falecido na base do ITCMD, quando comprovadas.
  • Decidir com cuidado o valor de transferência dos bens para fins de imposto de renda, considerando se haverá venda futura. Veja impostos no inventário extrajudicial.
  • Buscar acordo entre os herdeiros, que é o que permite usar o cartório.

Prazo e multa

Nas duas vias, o inventário deve ser aberto em até dois meses do falecimento (Código de Processo Civil, art. 611). A lei estadual pode prever multa sobre o ITCMD pelo atraso, o que o STF admite (Súmula 542).

Resumo

  • Em regra, o inventário extrajudicial sai mais barato e mais rápido.
  • O ITCMD, o registro e os honorários existem nas duas vias.
  • O cartório exige acordo entre os herdeiros; menores e testamento são admitidos com condições desde 2024.
  • Havendo conflito, o caminho é o judicial, que pode ser simplificado pelo arrolamento sumário.

Veja também o custo de um inventário no cartório e a página sobre inventário extrajudicial e judicial.

Este conteúdo é informativo e não substitui a análise jurídica individualizada.

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